10 anos após seu álbum de estréia e com 5 anos sem lançar nenhum material novo, momentos de estrelinha, disco [...]
10 anos após seu álbum de estréia e com 5 anos sem lançar nenhum material novo, momentos de estrelinha, disco solo do vocalista, boatos, não-vindas para o Brasil e atritos durante sua gravação, eis que surge Angles, quarto álbum do grupo The Strokes, talvez um dos álbuns mais aguardados dos sei lá, 5 anos? Para boa parte do público rocker pelo menos, sim.
Com capa colorida e abstrata, o álbum já denuncia: nada ali tem muito a ver com o velho Strokes, por mais que soe como os bons riffs do Room on Fire, linhas de baixo do Is This It, mas o que parece é que o grupo picotou tudo e refez a sua nova maneira. O processo de produção das músicas fora modificado, fator que talvez tenha dado mais gás para a parte instrumental: é um álbum suave, limpo, não abusa das guitarras gritantes de outrora, mas dá espaço para riffs criativos e libertos e refrões que grudam facilmente na cabeça.

A imersão em Angles começa por...Machu Picchu? Sim, e não poderia ter nome melhor. A música cai em algo que o vocalista Julian Casablancas veio experimentando em seu solo Phrazes for the Young, com um quê de Michael Jackson e pronto, surge uma música extremamente pegajosa, dançante e ao mesmo tempo...como algo que você só esperaria ouvir do Strokes.
Under Cover of Darkness já é "velha" para os tempos modernos. Pelo menos se você esteve em alguma das redes sociais nos últimos sei lá, 40 dias, você já ouviu e tirou sua conclusão sobre tal. Talvez é a faixa que resgate mais os trabalhos mais velhos da banda, ou seja, o melhor estilo strokeano de ser: bateria marcada, riffs fáceis e deliciosos, gritaria no refrão e baixo saltitante.
Two Kinds of Happiness saiu daquela rádio flashback dos anos 80 que sua tia moderninha curte ouvir. Ali tem sei lá, The Drums com uma pretensão notável do vocalista em querer meter discoteca oitentista nos cantos das guitarras violentas de Nick Valensi e Albert Hammond Jr, juntamente com uma bateria essencialmente dançante.
You're So Right parece uma mistureba bizarra entre Scissors Sisters, Felix da Housecat, Joy Division e Violent Femmes. Guitarras definham bonito enquanto Casablancas anuncia "I wanna tell you, i wanna tell you, i wanna tell you". Ali tem espaço para um backing vocal e sai mais uma faixa inédita, pelo menos se enquadra num tipo de produção que não seria o comum do grupo nos últimos 3 álbuns.
Taken for a Fool, outro ponto alto do álbum. Rápida, direta, sem chorumelas. Ao mesmo tempo parece ter sido algo meio Daft Punk com o refrão bem similar ao de outrora: tem coisa do Is This It ali guardadinha e não sabemos o que é, talvez Hard to Explain ou Alone, Together, mas a graça mesmo é ver que o grupo continua funcionando bonito e produzindo pérolas como essa faixa, que está para Juicebox ou Reptilia, se formos compararmos com outros álbuns.
Games está muito mais uma faixa do vocalista do que do grupo: ali tem a vontade evidente dele de se jogar numa pista de dança com baterias eletrônicas e aquela coisa bem rocker-eletrônico que só quem era gente entre 80/90 vai saber reproduzir. Passa rápido, não é dos momentos mais "notáveis" do álbum mas segue fácil no baixo que constrói o ritmo e no "living in an empty world, living in an empty world" e nos leads meio tirados do synthpop recente. Aliás é até curioso ouvir Strokes usando sintetizadores. Influência óbvia da música eletrônica nos dias de hoje.
Call Me Back tem um suave ritmo gostoso, a silabação junto com os acordes parecem servir de continuação para I'll Try Anything Once, ou então a construção da faixa parece: guitarra e voz, e a vontade de cantar "shine me up" no fundo parece evidente. Tem muita coisa boa ali.
Gratisfaction é o Strokes bricando de Beatles. A faixa parece que saiu de algo entre o Revolver e o Magical Mystery Tour. Uma ode dos grandes aos grandes, com um quê de Rolling Stones, e um quê de Strokes. Não creio que menos que intencional é o título.
Metabolism consiste em sugar todas os estilos adotados pelo grupo em todos seus álbuns. Soa uma apoteose parecida com...Muse? Com um quê desesperador e gritejos necessários. Deixa tudo balançando, todas as estruturas fragilizadas para que venha a próxima faixa. A genial Life is Simple in the Moonlight.
Ponto altíssimo. Bossa nova para nova-iorquinos. Os acordes são belos, a voz encanta, a bateria relaxa e o espírito se eleva. A concisão perfeita do que é evoluir de um álbum totalmente garagem que era Is This It para um rebuscado Angles, feito com despretensão e mesmo assim conseguindo atingir facilmente todos os seus objetivos. Se o objetivo era recriar sua música se baseando no passado, Strokes faz isso com maestria. Ao mesmo tempo que soa muito igual a tudo já feito por eles, por outro lado não parece com nada que foi feito até então pelo grupo. E mesmo com todos os atritos e declarações dos integrantes do grupo, Angles tem espaço sim, para ficar um bom tempo (em termos modernos) nas prateleiras, ou melhor, nos clubes, players, pendrives, iPods, tablets e smartphones.
Com capa colorida e abstrata, o álbum já denuncia: nada ali tem muito a ver com o velho Strokes, por mais que soe como os bons riffs do Room on Fire, linhas de baixo do Is This It, mas o que parece é que o grupo picotou tudo e refez a sua nova maneira. O processo de produção das músicas fora modificado, fator que talvez tenha dado mais gás para a parte instrumental: é um álbum suave, limpo, não abusa das guitarras gritantes de outrora, mas dá espaço para riffs criativos e libertos e refrões que grudam facilmente na cabeça.

A imersão em Angles começa por...Machu Picchu? Sim, e não poderia ter nome melhor. A música cai em algo que o vocalista Julian Casablancas veio experimentando em seu solo Phrazes for the Young, com um quê de Michael Jackson e pronto, surge uma música extremamente pegajosa, dançante e ao mesmo tempo...como algo que você só esperaria ouvir do Strokes.
Under Cover of Darkness já é "velha" para os tempos modernos. Pelo menos se você esteve em alguma das redes sociais nos últimos sei lá, 40 dias, você já ouviu e tirou sua conclusão sobre tal. Talvez é a faixa que resgate mais os trabalhos mais velhos da banda, ou seja, o melhor estilo strokeano de ser: bateria marcada, riffs fáceis e deliciosos, gritaria no refrão e baixo saltitante.
Two Kinds of Happiness saiu daquela rádio flashback dos anos 80 que sua tia moderninha curte ouvir. Ali tem sei lá, The Drums com uma pretensão notável do vocalista em querer meter discoteca oitentista nos cantos das guitarras violentas de Nick Valensi e Albert Hammond Jr, juntamente com uma bateria essencialmente dançante.
You're So Right parece uma mistureba bizarra entre Scissors Sisters, Felix da Housecat, Joy Division e Violent Femmes. Guitarras definham bonito enquanto Casablancas anuncia "I wanna tell you, i wanna tell you, i wanna tell you". Ali tem espaço para um backing vocal e sai mais uma faixa inédita, pelo menos se enquadra num tipo de produção que não seria o comum do grupo nos últimos 3 álbuns.
Taken for a Fool, outro ponto alto do álbum. Rápida, direta, sem chorumelas. Ao mesmo tempo parece ter sido algo meio Daft Punk com o refrão bem similar ao de outrora: tem coisa do Is This It ali guardadinha e não sabemos o que é, talvez Hard to Explain ou Alone, Together, mas a graça mesmo é ver que o grupo continua funcionando bonito e produzindo pérolas como essa faixa, que está para Juicebox ou Reptilia, se formos compararmos com outros álbuns.
Games está muito mais uma faixa do vocalista do que do grupo: ali tem a vontade evidente dele de se jogar numa pista de dança com baterias eletrônicas e aquela coisa bem rocker-eletrônico que só quem era gente entre 80/90 vai saber reproduzir. Passa rápido, não é dos momentos mais "notáveis" do álbum mas segue fácil no baixo que constrói o ritmo e no "living in an empty world, living in an empty world" e nos leads meio tirados do synthpop recente. Aliás é até curioso ouvir Strokes usando sintetizadores. Influência óbvia da música eletrônica nos dias de hoje.
Call Me Back tem um suave ritmo gostoso, a silabação junto com os acordes parecem servir de continuação para I'll Try Anything Once, ou então a construção da faixa parece: guitarra e voz, e a vontade de cantar "shine me up" no fundo parece evidente. Tem muita coisa boa ali.
Gratisfaction é o Strokes bricando de Beatles. A faixa parece que saiu de algo entre o Revolver e o Magical Mystery Tour. Uma ode dos grandes aos grandes, com um quê de Rolling Stones, e um quê de Strokes. Não creio que menos que intencional é o título.
Metabolism consiste em sugar todas os estilos adotados pelo grupo em todos seus álbuns. Soa uma apoteose parecida com...Muse? Com um quê desesperador e gritejos necessários. Deixa tudo balançando, todas as estruturas fragilizadas para que venha a próxima faixa. A genial Life is Simple in the Moonlight.
Ponto altíssimo. Bossa nova para nova-iorquinos. Os acordes são belos, a voz encanta, a bateria relaxa e o espírito se eleva. A concisão perfeita do que é evoluir de um álbum totalmente garagem que era Is This It para um rebuscado Angles, feito com despretensão e mesmo assim conseguindo atingir facilmente todos os seus objetivos. Se o objetivo era recriar sua música se baseando no passado, Strokes faz isso com maestria. Ao mesmo tempo que soa muito igual a tudo já feito por eles, por outro lado não parece com nada que foi feito até então pelo grupo. E mesmo com todos os atritos e declarações dos integrantes do grupo, Angles tem espaço sim, para ficar um bom tempo (em termos modernos) nas prateleiras, ou melhor, nos clubes, players, pendrives, iPods, tablets e smartphones.





thumbs up! life is simple in the moonlight é mesmo sensacional. sem inventar moda igual o radiohead, juju e companhia tão de parabéns.
ps.: ge-ni-al a comparação de machu picchu com michael jackson.
esperei tanto tempo por esse cd
eu gostei mesmo, maluco.
Eu achei Angles uma delícia
esse álbum é um legítimo “stroke”.
Bela análise!!!
Estou bolado com esse disco, cara…
Bela resenha.
Metabolism tem uma cara de Heart In a Cage, seilá, ficou uma faixa bem “dark’. Call Me Back é uma delicia de se ouvir (assim como Life is Simple in the Moonlight). Mas odiei Games, achei enjoativa nos primeiros segundos.
E realmente, Angles conseguiu ser um CD que ao mesmo que é igual aos outros, é totalmente diferente. Acho que já tava na hora da banda mostrar algo novo. Amei o CD, sinceramente, e acho muito nada a ver quem tá dizendo “ah, Strokes mudou blablablabla” Eles esperavam o que? Um Is This It versão 2011?
Sim! Justamente é o que eu penso sobre o álbum. Todo trabalho novo tem que ser uma reinvenção. O Strokes tem capacidade pra fazer sei lá, cinco Is This It seguidos, mas preferem esculpir sua estrutura musical e se reinventar. Achei o álbum interessante, conciso e claro. De fato…algumas músicas não tem tanto brilho e soam meio confusas, como Games…mas no geral não consigo classificar como ‘ruim’ e sim como ‘comum’.
Adorei a crítica sobre o disco, só acho que o redator pode usar menos “sei lá” nos seus textos. Pecou no excesso, babe.
Bjo
Obrigado pela dica! Estarei me contendo mais nas próximas resenhas, assim as deixarei mais gramaticalmente de acordo, se é para essa função que elas servem.
Essa ideia de sintetizadores e melodias grudentas me remete ao grupo que salvaria o rock. Bem, esse “salvaria” nunca soou tão bem como agora com esse novo lançamento, harmonicamente falando tem algumas coisas manjadas nas faixas, a começar pelo single, simplesmente uma sensação de “já ouvi isso antes!” paira na atmosfera. Eu escrevo, claramente, salvaria, pois o álbum é pop xelequento, pelo menos pra mim, e é o pior disco em termos de criação dos caras. Tem lá seus pontos altos como nas músicas agitadas, exceto o single, mas perde bastante no aspecto lento que não consegue ser salvo pelos sintetizadores e riffs banais.
Acredito que eles tenham mais créditos do que débitos e é nessa hora que acho engraçado como o nome Strokes tem, ainda, certa relevância.