É sempre uma satisfação quando os artistas são receptivos aos nossos olhares atentos e curiosos. Zé Otávio além diversos trabalhos [...]
É sempre uma satisfação quando os artistas são receptivos aos nossos olhares atentos e curiosos. Zé Otávio além diversos trabalhos publicados em veículos como a revista Cult, Folha de São paulo, Estadão, Galileu, entre outros, nos permite viajar por uma sessão de portraits que vão desde Michael Jackson a Machado de Assis e John Lennon. O Zé também é um dos envolvidos no projeto Pupunha Ink. Tem que conhecer:
Zé otávio: Oi. Eu nasci em Olimpia, que fica no interior do estado de SP e cresci em Jales, que fica mais longe ainda. Com 18 anos eu me mudei pra Sao Paulo, onde vivo atualmente e só dei uma pausa da cidade quando fui morar em Londres quando tinha 25, ficando la por 9 meses. Hoje eu tenho 27. dois fatos me inseriram no mundo da arte, o primeiro foi quando eu tinha 11 anos e estava com o meu Pai em Sao Paulo, indo para o Ape do meu tio que fica atras do MASP passamos pelo tunel que liga a Av. Rebouças na Paulista e ali eu vi toda uma mágica escondida, os Grafites, as pixaçoes e aquele bando de informaçao que nao sabia processar, isso fundiu o meu cerébro e tive um insight de que um dia viria para esse lugar.
Bom, dai, muito tempo depois, quando eu tinha 16 ou 17 anos eu comprei uma revista chamada Trip (essa mesma). La tinha um foto que meio que mudou minha vida e meu modo de pensar. Eu olhava pra aquela foto (eu perdi a revista e não sei o nome do fotografo...) e me vinham varias perguntas e dai eu comecei a comprar outras edições e também comecei a comprar uma revista chamada Simples.
Comecei a me questionar o porque que eles lançavam aquele material e como seriam essas pessoas que produziam aquilo e quem fazia tudo funcionar. Tudo me parecia muito distante pois na minha cidade não existia nem outros compradores dessas revistas. Enfim, acho que esses foram o meu start em relação a Arte. Dai que eu decidi que queria mesmo era fazer Design Gráfico e não ser médico, advogado ou engenheiro como é o destino do pessoal daquelas bandas (acho que hoje é diferente!) ... e quando eu comecei a faculdade de Belas Artes em São Paulo foi que tive o meu primeiro contato em termos práticos com arte, fotografia, desenho, ilustração, design, cinema, etc. Eu me apliquei bastante nas aulas de desenho, principalmente de modelo vivo e as de fotografia, essa que viria a ser uma grande paixão, principalmente depois de conhecer o trabalho das fotografas Nan Goldin e a Francesca Woodman, e em termos de composição e temática vai influenciar muito minha arte.
Paralelo a tudo isso sempre tive uma paixão pela cidade. Pelos muros, pelo caos e inclusive sempre entendi a pixação como um defeito que combinava com ela, acho que desde de que tive contato pela primeira vez aos 11 anos. Encontrei uma forma de contemplar isso que foi andando pelas ruas, pra ser sincero eu não vou muito longe, como eu sou do rock n roll eu acabo andando bastante pelo centro, mais precisamente pela rua augusta, esse que acabou sendo tema para o meu principal projeto que são as mulheres que ando desenhando. Essas mulheres são personagens de tudo que vivi e senti nas minhas andanças por ali. Desde de as noite etílicas interminaveis até o passeio com uma garota numa tarde de sol. Eu acho que tudo isso acabou influenciando um tanto o meu trabalho como ilustrador, que é o meu ganha-pão.
O que eu faço para viver e pagar as contas. Eu ilustro basicamente para o editorial, sempre gostei de revistas e de impressos em geral, nao sei ainda o porque de nao ter tentado mais coisas com livros, mas enfim, as vezes deixo as coisas simplesmente acontecerem. Tenho um lance c/ a moda, se você adora pessoas (ordinárias ou celebridades), rostos e afins, você acaba gostando do que eles vestem.
Comecei a gostar de roupas e acessórios quando comecei a ler despretensiosamente revistas de música. Ali eu conheci uma banda chamada Sonic Youth, o cd deles, o Daydream Nation (que eu consegui com um que um irmão de amigo que ia jogar o cd fora) mudou minha vida, mais precisamente o casal Kim Gordon e Thurston More mudou minha vida, suas roupas, seu som, atitude, tudo aquilo me excitava! :o) Outro fator importante foi ter morado em Londres durante 9 meses, aquilo tudo, novamente, ruas, pessoas, o caos (light, comparado com São Paulo), meio que me gostar mais do mundo fashion, acredito que la tenha mais espaço para o freak, pra se vestir com mais cores, mais maquilagem e afins.
Então eu estava falando do meu lance com a moda dando continuidade ao assunto ilustração, e esse ano parece que finalmente vou dar minha cartada como um ilustrador dessa área depois de tanto o Kako e a Fernanda Guedes me encherem (risos) para eu focar nesse caminho. E eis que esse ano começou com um trabalho a pedido da revista Capricho para eu fazer alguns passo-a-passo de make ups no começo do ano que ficaram bem bacanas e fizerem sucesso (haha) que me levou a outro trabalho, dessa vez um especial da mesma que eu ainda não vi mas parece ter ficado fantástico.
E agora, do meio pro fim do ano rola o lançamento da marca Dercanvas feita pelos queridos Futoshi Nakayama e Stef Bacon do StudioHaus e eu vou assinar uma coleção de camisetas com estampas sexy appeal. Essa será a primeira colaboração entre um artista e a marca Dercanvas de varias que esta por vir. Fiquei bastante empolgado em ser o primeiro. Ou seja, rua augusta (garotas de programa) + fashion. Aguardem! :o) Em paralelo, acabei de participar de uma exposiçao pop up do grupo SketchJazz qual fui chamado no começo do ano para ser um dos ilustradores do site/blog que vai divulgar noticias dos eventos, vender orginais e gravuras de alta qualidade com o tema Jazz & Blues, apesar de eu nao ser um grande conhecedor do Jazz tenho uma queda pelo Morphine, John Coltrane e o LeadBelly... :o)
site - flickr- twitter

Zé otávio: Oi. Eu nasci em Olimpia, que fica no interior do estado de SP e cresci em Jales, que fica mais longe ainda. Com 18 anos eu me mudei pra Sao Paulo, onde vivo atualmente e só dei uma pausa da cidade quando fui morar em Londres quando tinha 25, ficando la por 9 meses. Hoje eu tenho 27. dois fatos me inseriram no mundo da arte, o primeiro foi quando eu tinha 11 anos e estava com o meu Pai em Sao Paulo, indo para o Ape do meu tio que fica atras do MASP passamos pelo tunel que liga a Av. Rebouças na Paulista e ali eu vi toda uma mágica escondida, os Grafites, as pixaçoes e aquele bando de informaçao que nao sabia processar, isso fundiu o meu cerébro e tive um insight de que um dia viria para esse lugar.
Bom, dai, muito tempo depois, quando eu tinha 16 ou 17 anos eu comprei uma revista chamada Trip (essa mesma). La tinha um foto que meio que mudou minha vida e meu modo de pensar. Eu olhava pra aquela foto (eu perdi a revista e não sei o nome do fotografo...) e me vinham varias perguntas e dai eu comecei a comprar outras edições e também comecei a comprar uma revista chamada Simples.
Comecei a me questionar o porque que eles lançavam aquele material e como seriam essas pessoas que produziam aquilo e quem fazia tudo funcionar. Tudo me parecia muito distante pois na minha cidade não existia nem outros compradores dessas revistas. Enfim, acho que esses foram o meu start em relação a Arte. Dai que eu decidi que queria mesmo era fazer Design Gráfico e não ser médico, advogado ou engenheiro como é o destino do pessoal daquelas bandas (acho que hoje é diferente!) ... e quando eu comecei a faculdade de Belas Artes em São Paulo foi que tive o meu primeiro contato em termos práticos com arte, fotografia, desenho, ilustração, design, cinema, etc. Eu me apliquei bastante nas aulas de desenho, principalmente de modelo vivo e as de fotografia, essa que viria a ser uma grande paixão, principalmente depois de conhecer o trabalho das fotografas Nan Goldin e a Francesca Woodman, e em termos de composição e temática vai influenciar muito minha arte.
Paralelo a tudo isso sempre tive uma paixão pela cidade. Pelos muros, pelo caos e inclusive sempre entendi a pixação como um defeito que combinava com ela, acho que desde de que tive contato pela primeira vez aos 11 anos. Encontrei uma forma de contemplar isso que foi andando pelas ruas, pra ser sincero eu não vou muito longe, como eu sou do rock n roll eu acabo andando bastante pelo centro, mais precisamente pela rua augusta, esse que acabou sendo tema para o meu principal projeto que são as mulheres que ando desenhando. Essas mulheres são personagens de tudo que vivi e senti nas minhas andanças por ali. Desde de as noite etílicas interminaveis até o passeio com uma garota numa tarde de sol. Eu acho que tudo isso acabou influenciando um tanto o meu trabalho como ilustrador, que é o meu ganha-pão.
O que eu faço para viver e pagar as contas. Eu ilustro basicamente para o editorial, sempre gostei de revistas e de impressos em geral, nao sei ainda o porque de nao ter tentado mais coisas com livros, mas enfim, as vezes deixo as coisas simplesmente acontecerem. Tenho um lance c/ a moda, se você adora pessoas (ordinárias ou celebridades), rostos e afins, você acaba gostando do que eles vestem.
Comecei a gostar de roupas e acessórios quando comecei a ler despretensiosamente revistas de música. Ali eu conheci uma banda chamada Sonic Youth, o cd deles, o Daydream Nation (que eu consegui com um que um irmão de amigo que ia jogar o cd fora) mudou minha vida, mais precisamente o casal Kim Gordon e Thurston More mudou minha vida, suas roupas, seu som, atitude, tudo aquilo me excitava! :o) Outro fator importante foi ter morado em Londres durante 9 meses, aquilo tudo, novamente, ruas, pessoas, o caos (light, comparado com São Paulo), meio que me gostar mais do mundo fashion, acredito que la tenha mais espaço para o freak, pra se vestir com mais cores, mais maquilagem e afins.
Então eu estava falando do meu lance com a moda dando continuidade ao assunto ilustração, e esse ano parece que finalmente vou dar minha cartada como um ilustrador dessa área depois de tanto o Kako e a Fernanda Guedes me encherem (risos) para eu focar nesse caminho. E eis que esse ano começou com um trabalho a pedido da revista Capricho para eu fazer alguns passo-a-passo de make ups no começo do ano que ficaram bem bacanas e fizerem sucesso (haha) que me levou a outro trabalho, dessa vez um especial da mesma que eu ainda não vi mas parece ter ficado fantástico.
E agora, do meio pro fim do ano rola o lançamento da marca Dercanvas feita pelos queridos Futoshi Nakayama e Stef Bacon do StudioHaus e eu vou assinar uma coleção de camisetas com estampas sexy appeal. Essa será a primeira colaboração entre um artista e a marca Dercanvas de varias que esta por vir. Fiquei bastante empolgado em ser o primeiro. Ou seja, rua augusta (garotas de programa) + fashion. Aguardem! :o) Em paralelo, acabei de participar de uma exposiçao pop up do grupo SketchJazz qual fui chamado no começo do ano para ser um dos ilustradores do site/blog que vai divulgar noticias dos eventos, vender orginais e gravuras de alta qualidade com o tema Jazz & Blues, apesar de eu nao ser um grande conhecedor do Jazz tenho uma queda pelo Morphine, John Coltrane e o LeadBelly... :o)
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[...] da capital paulista. Nesta primeira edição, DERCANVAS COLLABORATES faz parceria com o ilustrador Zé Otávio, adaptando técnicas do vasto universo da estamparia para reproduzir as obras e linguagem do [...]